Fonte : Super Varejo

O consumidor, como conhecíamos, não existe mais. Os hábitos de compra do início de 2020 mudarão para sempre.  É difícil saber o todo da transformação, mas deve ser a mudança mais radical das últimas décadas – com velocidade e profundidade.

Chamaríamos de louco alguém que em 2019 nos falasse que no ano seguinte passaríamos dias isolados em casa, que não tocaríamos em ninguém, nada de abraço ou aperto de mão, e que nas raras saídas de casa exibiríamos uma versão mascarada de nós mesmos. De fato, parece que vivemos um filme de ficção.

É interessante ver como as pessoas respondem a situações inusitadas. Quando foram informadas que deveriam ficar em casa por conta do Covid-19, veio um comportamento de insegurança e, para alguns, de desespero, com clientes correndo para supermercados, farmácias e a outros estabelecimentos, e provocando demandas muito maiores que o convencional de uma série de produtos. Coube aos compradores do varejo fazer enorme esforço para entender os novos padrões de consumo e acertar os parâmetros de compra e abastecimento. Como resultado, excesso ou falta de estoque.

Vale um exercício de tentar predizer o que mudará no comportamento de compra dos clientes após esse enorme tsunami viral e seus impactos econômicos.

Faça você mesmo. Do dia para a noite, as pessoas tiveram que aprender a fazer por sua conta uma série de atividades que antes demandavam de terceiros. Uma parte dessas atividades deve continuar sendo feita por nós mesmos, seja porque aprendemos a fazer o que achávamos que era difícil ou porque percebemos que conseguimos economizar.

Higiene lover. Após tantas semanas trancafiados em casa, desinfetando tudo e a todos, limpando a casa como nunca, os consumidores manterão alguns desses hábitos, aficionados por produtos de higiene. Muitos produtos vão ganhar destaque, bem além do célebre álcool em gel e das máscaras.

Minha saúde como nunca. De repente, o mundo todo com medo de morrer. Quem sabe agora muitos finalmente deixarão de fumar?! As pessoas, que já vinham aprendendo a escolher produtos mais saudáveis, e que também já liam as informações nutricionais nos rótulos dos produtos, terão interesse ainda maior em itens para imunidade e, também, em alimentos que funcionem como remédio ou prevenção. A falta do dinheiro, porém, vai ser um obstáculo no primeiro momento.

Aceleramento digital. Aprendemos a ficar mais em casa, a trabalhar em casa. Fazer tudo de casa. Muitos experimentaram as compras pela internet, outros as intensificaram. Passamos a ter maior conforto com as ferramentas digitais que estão disponíveis. Delivery ganhou um significado maior nas nossas vidas. Foi educativo.

Minimalismo. Conhecemos o que é supérfluo. Aprendemos a viver sem muito do que vivíamos e achávamos indispensável. Menos “ter” e mais “ser”. É provável que o consumidor passe a dar mais valor a coisas simples. Com isso, roupas de marcas caras, produtos de beleza, bens duráveis e muitos outros, tendem a ocupar um menor espaço no bolso do consumidor. É provável que o consumo exagerado e artificial perca espaço para o mundo das sensações, das experiências e das atividades corriqueiras e despretensiosas. E de imediato vamos amar fazer muitas das coisas das quais antes reclamávamos.

Após esses dias estranhos, outros muito melhores virão. O consumidor vai ser diferente. Que as pessoas possam utilizar o consumo para o bem verdadeiro, de si e dos que estão ao seu redor.

 

Escrito por Antônio Sá,  empresário, professor e palestrante. Sócio fundador da Amicci. Apaixonado pelo varejo.

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